Iniciativa gratuita da Nomus oferece ambiente de testes para estudantes simularem produção, compras e estoque; proposta aproxima ensino técnico e superior das decisões apoiadas por software nas indústrias.
Uma ordem de produção não começa nem termina no chão de fábrica. Antes de uma máquina entrar em operação, alguém precisa definir o produto, verificar materiais disponíveis, planejar compras e organizar recursos. Depois, as movimentações de estoque e os registros da execução produzem dados que podem orientar decisões futuras. Essa cadeia de dependências, familiar para gestores industriais, está no centro de uma iniciativa que leva um software ERP para dentro das salas de aula.
A Nomus disponibiliza gratuitamente a instituições de ensino técnico e superior uma base de testes de seu ERP Industrial por meio do programa ERP na Sala de Aula. A proposta é permitir que professores desenvolvam atividades práticas nas quais estudantes criem produtos, emitam ordens de produção, movimentem estoques e analisem as consequências de cada operação. Em vez de observar telas em uma apresentação, a turma pode experimentar a lógica de uma empresa integrada.
O projeto surge em um contexto no qual o domínio de ferramentas digitais deixa de ser assunto exclusivo das equipes de tecnologia. Sistemas empresariais conectam dados de produção, suprimentos, vendas e finanças, e a compreensão dessas relações se torna relevante para profissionais de engenharia, administração e áreas correlatas. O objetivo educacional não é formar operadores de uma marca específica de software, mas usar uma aplicação real como laboratório para entender processos.
O que muda quando a teoria encontra um ERP
Um ERP, sigla de Enterprise Resource Planning, reúne processos e informações empresariais em um ambiente integrado. Em uma fábrica, isso significa que um registro feito em determinada área pode influenciar o trabalho de outras. Uma solicitação de produção, por exemplo, depende de definições de produto e disponibilidade de materiais; uma movimentação de estoque altera a visão sobre os recursos existentes.
Em aulas convencionais, essas etapas muitas vezes aparecem separadas por disciplinas. Uma turma estuda planejamento e controle da produção; outra atividade aborda compras; um exercício específico trata de estoque. O ambiente de gestão permite observar como os conceitos se relacionam. A principal mudança didática está em acompanhar a sequência de acontecimentos e investigar o que acontece quando uma informação é inserida, alterada ou deixada de lado.
Thiago Leão, diretor da Nomus, resume esse ponto: “Quando o aluno pratica dentro de um ERP, ele deixa de enxergar produção, estoque, compras e financeiro como conceitos separados. Ele passa a entender como uma decisão em uma área impacta toda a empresa”. A declaração aponta para uma competência transversal: compreender efeitos de uma decisão além da etapa em que ela foi tomada.
Na prática, o professor pode organizar a atividade em torno de um produto fictício e estabelecer condições de operação. A turma começa estruturando a engenharia do item, identifica necessidades de materiais e acompanha uma ordem de produção. Ao registrar as movimentações, passa a ter elementos para discutir planejamento, disponibilidade e consistência dos dados. Trata-se de um exemplo de dinâmica pedagógica possível, não de um resultado já medido pelo programa.
Do cadastro do produto à análise de resultados
A primeira camada de aprendizado envolve a engenharia do produto: como representar no sistema aquilo que será fabricado e quais informações precisam estar definidas antes da execução. Esse exercício evidencia que a digitalização depende de dados organizados. Um cadastro incompleto ou incoerente pode comprometer a interpretação das etapas seguintes, ainda que o software esteja funcionando corretamente.
A emissão de ordens de produção adiciona outra dimensão. O estudante precisa entender o que será produzido e como a atividade se relaciona com os materiais necessários. O estoque, por sua vez, deixa de ser apenas um número em uma planilha: passa a refletir entradas, saídas e movimentações associadas aos processos. O sistema se torna um meio de enxergar a trajetória da informação.
Os registros também permitem discutir indicadores e resultados. Se a turma altera uma condição do exercício, pode analisar os efeitos nas informações disponíveis e explicar as diferenças observadas. Essa abordagem aproxima a atividade de um problema recorrente da indústria: não basta coletar dados, é necessário saber de onde vieram, o que representam e quais decisões eles podem sustentar.
Uma vantagem pedagógica do ambiente de testes é a possibilidade de repetir situações e comparar caminhos sem envolver uma operação produtiva real. A simulação não substitui experiência de fábrica, equipamentos ou estágio supervisionado, mas pode oferecer uma etapa intermediária entre a explicação conceitual e o contato com processos em funcionamento.
Por que a formação digital entrou na pauta da indústria
A discussão sobre qualificação ajuda a explicar o interesse por iniciativas desse tipo. O Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027, do Observatório Nacional da Indústria, estima que aproximadamente 14 milhões de pessoas precisarão de qualificação no período. Desse contingente, cerca de 2,2 milhões correspondem a novos profissionais e 11,8 milhões a trabalhadores que precisarão atualizar competências.
O levantamento considera demandas que incluem conhecimentos de máquinas, equipamentos, softwares, segurança e processos industriais, além de competências técnicas e comportamentais. Os números não medem especificamente a procura por especialistas em ERP, mas ilustram a escala do desafio de preparar profissionais para rotinas industriais que combinam operação física e sistemas de informação.
Outro dado citado no material da iniciativa, atribuído à Confederação Nacional da Indústria, indica que 62% dos empresários consideram a falta de mão de obra qualificada um obstáculo ao ambiente de negócios. Nesse cenário, ampliar oportunidades de contato com ferramentas e processos empresariais durante a formação pode contribuir para reduzir a distância entre o conteúdo estudado e as atividades encontradas no trabalho.
“A indústria precisa de profissionais que entendam processos, dados e integração entre áreas. Quanto antes o aluno tem contato com essa lógica, mais preparado ele chega ao mercado”, afirma Leão. A avaliação destaca o papel complementar da experiência prática: saber navegar em um sistema é diferente de compreender por que determinada informação importa para uma decisão de produção ou suprimentos.
Tecnologia na educação vai além de aprender botões
Uma experiência acadêmica com ERP pode ser reduzida a um tutorial de interface, mas esse seria um uso limitado da ferramenta. O potencial está na construção de problemas que exigem raciocínio sobre processos. O professor pode perguntar o que muda quando o estoque não corresponde ao planejamento, por que a estrutura de um produto precisa ser definida antes da ordem de produção ou como diferentes áreas devem interpretar um mesmo registro.
Essas questões abrem espaço para trabalho em grupo. Uma equipe pode representar a área de planejamento; outra, a de suprimentos; uma terceira, o acompanhamento da produção. A dinâmica permite discutir comunicação, responsabilidades e dependência entre setores. O software fornece um contexto comum, enquanto o aprendizado depende das perguntas, da mediação docente e da análise dos resultados.
Também é uma oportunidade para discutir qualidade de dados. Sistemas integrados não corrigem automaticamente decisões mal formuladas ou cadastros inconsistentes. Ao contrário: uma informação inadequada pode se propagar entre processos. Para estudantes de Sistemas de Informação, a experiência ajuda a conectar modelagem de dados e regras de negócio; para estudantes de Engenharia de Produção, aproxima o planejamento de seus registros operacionais.
A distinção é importante porque transformação digital não equivale simplesmente à compra de software. Ela envolve processos claros, pessoas capacitadas e critérios para utilizar as informações geradas. Em um laboratório acadêmico, esses componentes podem ser observados em escala reduzida, com espaço para testar hipóteses, identificar falhas e discutir correções.
Como funciona o programa ERP na Sala de Aula
O programa da Nomus é voltado a instituições públicas e privadas de ensino técnico e superior. Entre os cursos relacionados estão Engenharia de Produção, Engenharia Mecânica, Administração e Sistemas de Informação, além de outras formações ligadas à gestão, tecnologia e processos industriais. Professores e coordenadores podem propor o uso do ambiente conforme os objetivos de suas disciplinas.
A trilha pode começar com uma palestra online de uma hora intitulada “ERP para indústrias: o conhecimento que destaca sua carreira”. Em seguida, a instituição recebe acesso a uma base de testes do Nomus ERP Industrial durante o período definido para o projeto. Exercícios da Universidade Nomus e materiais de orientação sobre parametrização também integram os recursos disponibilizados.
O formato não exige que a ferramenta se torne uma disciplina inteira. Segundo a apresentação do programa, a experiência pode compor uma atividade pontual ou um projeto mais longo, com duração de até um semestre. A execução pode ocorrer online, com acompanhamento dos professores e suporte da equipe da Nomus quando necessário.
Essa flexibilidade é relevante para instituições com calendários, cargas horárias e propostas pedagógicas diferentes. Uma atividade breve pode apresentar a conexão entre estoque e produção; um projeto de maior duração permite percorrer etapas adicionais e trabalhar a interpretação de registros ao longo do tempo. Em ambos os casos, o planejamento e a avaliação acadêmica permanecem sob responsabilidade da instituição.
A Nomus Educação já mantém conexões com instituições como SENAI, IFES, IFSul e Unifeso em iniciativas de aproximação entre estudantes e gestão industrial. A informação demonstra a presença da empresa no ambiente educacional, mas não significa, por si só, que todas essas instituições utilizem o mesmo formato do ERP na Sala de Aula.
O que a iniciativa revela sobre software e empregabilidade
A presença de um ERP no ensino é parte de uma mudança mais ampla na maneira de tratar tecnologia profissional. Em muitas ocupações, não é suficiente conhecer a função isolada de uma ferramenta: o trabalhador precisa interpretar informações compartilhadas, compreender regras operacionais e comunicar impactos entre áreas. A aprendizagem baseada em simulações pode ajudar a tornar visível essa dimensão menos evidente do trabalho digital.
Há também uma diferença entre familiaridade com a interface e capacidade de análise. Um aluno pode memorizar o caminho para registrar uma ordem de produção sem compreender os efeitos do registro. Por isso, atividades que peçam justificativas, comparações e revisão de decisões tendem a explorar melhor o valor educacional do sistema do que exercícios restritos ao preenchimento de campos.
Para o setor de tecnologia, a iniciativa mostra um uso de software empresarial que ultrapassa sua função comercial imediata. A mesma lógica de integração empregada para organizar operações pode servir como recurso didático. O ambiente de testes oferece uma representação operacional na qual conceitos abstratos — como rastreabilidade da informação, dependência entre processos e consistência cadastral — ganham consequências observáveis.
Isso não elimina a necessidade de laboratórios físicos, visitas técnicas ou contato com equipamentos. Um ERP representa e organiza processos, mas não reproduz integralmente os desafios de segurança, manutenção, comportamento de máquinas e variabilidade presentes em uma planta industrial. O ganho está em complementar essas experiências com a compreensão do fluxo digital que acompanha a produção.
Ao final, a contribuição do programa dependerá de como cada curso incorporar a ferramenta, dos exercícios propostos e da capacidade de transformar registros em discussão crítica. A iniciativa oferece acesso e materiais; resultados de aprendizagem, adoção e empregabilidade exigiriam acompanhamento específico para serem demonstrados.
“O objetivo é contribuir para uma formação mais aplicada e conectada ao mercado. A sala de aula continua sendo o espaço da teoria, mas também pode ser um ambiente para simular decisões, testar processos e entender a gestão industrial na prática”, conclui Leão.
Professores, coordenadores e representantes de instituições interessados podem consultar as informações de participação na página do programa ERP na Sala de Aula. A proposta é gratuita e permite que o calendário acadêmico determine a extensão das atividades.
Saiba mais: ERP na Sala de Aula — Nomus

